domingo, 12 de outubro de 2008

James Dean


Às vezes me sinto assim, meio James Dean, querendo acelerar até o fim.


Lúcia Costa.

sábado, 20 de setembro de 2008

Pealo de sangue

"Que mistérios trago no peito
Que tristezas trago comigo
Se meu sangue é colono, é gaúcho
Lá no pampa é que eu encontro abrigo
O cheirinho da chuva na mata
Me peala
Me puxa prá lá
Quero só um pedaço de terra
Um ranchinho de santa-fé
Milho-verde, feijão,laranjeira
Lambari cutucando o pé
Noite alta o luzeiro alumiando
Um gaúcho sonhando de pé
Quando será
Este meu sonho
Sei que um dia será novo dia
Porém não cairá lá do céu
Quem viver saberá que é possível
Quem lutar ganhará seu quinhão
Velho Guaíba
Sei que um dia será novo dia
Brotando em teu coração
Quem viver saberá que é possível
Quem lutar ganhará seu quinhão."

Raul Ellwanger

Desgarrados

"Eles se encontram no cais do porto pelas calçadas
Fazem biscates pelos mercados, pelas esquinas,
Carregam lixo, vendem revistas, juntam baganas
E são pingentes das avenidas da capital
Eles se escondem pelos botecos entre cortiços
E pra esquecerem contam bravatas, velhas histórias
E então são tragos, muitos estragos, por toda anoite
Olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho
Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade
Viram copos viram mundos, mas o que foi nunca mais será

Cevavam mate,sorriso franco, palheiro aceso
Viraram brasas, contavam casos, polindo esporas,
Geada fria, café bem quente, muito alvoroço,
Arreios firmes e nos pescoços lencos vermelhos
Jogo do osso, cana de espera e o pão de forno
O milho assado, a carne gorda, a cancha reta
Faziam planos e nem sabiam que eram felizes
Olhos abertos, o longe é perto, oque vale é o sonho
Sopram ventos desgarrados, carregados de saudade
Viram copos viram mundos, mas o que foi nunca mais será."

Composição: Sérgio Napp e Mário Barbará

Céu, Sol, Sul, Terra e Cor.

"Eu quero andar nas coxilhas
Sentindo as flexilhas das ervas do chão,
Ter os pés roseteados de campo,
Ficar mais trigueiro com o sol de verão.
Fazer versos cantando as belezas
Desta natureza sem par.
E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar

É o meu Rio Grande do SulCéu, sol, sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor.
É o meu Rio Grande do SulCéu, sol, sul, terra e cor!
Onde tudo o que se planta cresce
E o que mais floresce é o amor.

Eu quero me banhar nas fontes
E olhar horizontes com Deus,
E sentir que as cantigas nativas
Continuam vivas para os filhos meus.
Ver os campos florindo e
Crianças sorrindo felizes a cantar!
E mostrar para quem quiser ver
Um lugar pra viver sem chorar ."

Interpretação: Leonardo.

Desassossegos

"Meus desassossegos sentam na varanda
Pra matear saudade nesta solidão
Cada pôr de sol dói feito uma brasa
Queimando lembranças no meu coração
Vem a lua aos poucos iluminar o rancho
Com estrelas frias que se vão depois
Nada é mais triste neste mundo louco
Que matear com a ausência de quem já se foi
Que desgosto o mate sevado de mágoas
Pra quem não se basta pra viver tão só
A insônia do catre vara a madrugada
Neste fim de mundo que nem Deus tem dó
Então me pergunto neste desatino
Se esse é o meu destino ou Deus se enganou
Todo o desencanto para um só campeiro
Que de tanto amor se desconsolou
Que desgosto o mate cevado de mágoas
Pra quem não se basta pra viver tão só
A insônia do catre vara a madrugada
Neste fim de mundo que nem Deus tem dó."

Interpretação: Osvaldir e Carlos Magrão.

sábado, 30 de agosto de 2008

Toda mulher gosta de rosas


Rosas
Ana Carolina
Composição: Totonho Villeroy


"Você pode me verdo jeito que quiser
Eu não vou fazer esforço
Prá te contrariar
De tantas mil maneiras que eu posso ser
Estou certa que uma delas vai te agradar...
Porque eu sou feita pro amor
Da cabeça aos pés
E não faço outra coisa do que me doar
Se causei alguma dor
Não foi por querer
Nunca tive a intenção de te machucar...
Porque eu gosto é de rosas e rosas, de rosas
Acompanhadas de um bilhete me deixam nervosa...
Toda mulher gosta de rosas e rosas, de rosas
Muitas vezes são vermelhas, mas sempre são rosas...
Se teu santo por acaso
Não bater com o meu
Eu retomo o meu caminho
E nada a declarar
Meia culpa cada um que vá cuidar do seu
Se for só um arranhão
Eu não vou nem soprar..."

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Mude

"Mude,
Mas comece devagar, porque a direção é mais importantedo que a velocidade.Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.

Mais tarde mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente,observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.

Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente no campo,ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos...

Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois,procure dormir em outras camas da casa.
Assista a outros programas de tv, compre outros jornais...

leia outros livros.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.

Durma mais tarde.Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.

Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.

O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito, a nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.

Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes,compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado... outra marca de sabonete,outro creme dental... tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.Vá passear em outros lugares.Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro,compre novos óculos, escreva versos e poesias.
Jogue os velhos relógios,quebre delicadamente esses horrorosos despertadores.Abra conta em outro banco.Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros,outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.Seja criativo.
Grite o mais alto que puder no espaço vazio.

Deixem pensar que você está louco.
Aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.Troque novamente.Mude, de novo.

Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas pioresdo que as já conhecidas, mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.

A positividade que você está sentindo agora.
Só o que está morto não muda! "
Autor: Edson Marques.

OS SIGNOS NA VISÃO DO ANALISTA DE BAGÉ

ÁRIES - Bicho mais fogueteiro e metido não tem. Ele atropela todo mundo que nem bagual solto em feira de porcelana. Tem mania de ser sempre primeiro. E é: o primeiro...lôco!
TOURO - Esse quer ser o maior dos latifundiários : dono das estância, dos rebanho, das plantação. Se bobear, invade o planeta inteiro. Mas tem desculpa: é ele quem dá o churrasco, faz as trova, declama e toca a gaita. Êta índio bagual!
GÊMEOS - Esse vivente só quer prosear, assuntar. É o mascate do zodíaco, o leva-e-traz. Sabe de tudo e sabe contá causo que é uma beleza. Não esquenta banco e parece que tem bicho carpinteiro. Lá em Brasília tem um índio velho que não pára, só quer andar de avião prá lá e prá cá com a prenda do lado. Um pedaço de picanha prá quem adivinhá quem é o dito.
CÂNCER - Esse é chorão que é um inferno. Tem uma memória do cão, se lembra tim tim por tim tim quem ganhou cada Califórnia e cada grenal, e sabe de cor tudo o que tu disse prá ele naquele 4 de maio de 1984. Mas é o dono da posada e o que te prepara o putchero nas noites de Minuano. É dos piores.
LEÃO - Foi por causa desse que inventaram o tal de complexo de superioridade. Bicho mais convencido, não há. É o primeiro prêmio em interpretação nos festival, arrasa na chula, é a mais bela prenda e o rei do gado. Exige respeito e não consegue ficar na mesma sala com uma TV ligada, pois que não admite concorrência. Vai sê o chefe da ala dos Napoleão lá no São Pedro.
VIRGEM - Virge! Cruzes! esse é roxo por limpeza. Tu acaba de assar o churrasco e ele já tá lavando os espeto. Tem cuia própria pro mate, porque é mais higiênico, e tá sempre de vassoura na mão. Parece normal, mas é dos mais maníacos.
LIBRA - É danado de namorador. Só quer pezinho prá cá e pezinho prá lá. Não faz outra cosa. Também adora se meter em política, mas só fica olhando em cima do muro, enquanto a indiada dá um duro aqui embaixo. Metido a aristocrata, come churrasco com garfo e faca e usa guardanapo. Nem sei se não usa cuecão de florzinha por baixo das bombacha, mas pode ir tirando o cavalinho da chuva, porque é só frescura. Ele não é veado!
ESCORPIÃO - O Loco dos Loco. Prá puxá o facão não faz cerimônia. Mas depois de todo o estardalhaço, fica com uma cara de culpado e arrependido, que irrita até a mãe dele. Não perde a mania de mexer nos trauma... dos outros. O velho Freud, que também não era dos mais normal, tinha o tal de ascendente em escorpião. Esse nem com banda...
SAGITÁRIO - O índio aqui acha que é o verdadeiro centauro dos pampas, citado várias vezes pelos nossos historiadores. Se perdeu do seu bando e não sabe se foi perto de Vacaria ou de Pelotas, de tão loco. Se alguém quiser se comunicar com ele, é: e-mail: coice de mula.barbaridade.ctg.a la fresca.tchê.Bagé..
CAPRICÓRNIO - Esse é o introvertido. Metido a tímido, mas foi ele quem descobriu o complexo de inferioridade. Não quer incomodar, e prá fazê ele entrá no rancho ou se chegá prá roda de chimarrão é um custo. Não se acha nada, sonha com ele no futuro, que é quando ele acha que vai existir. Otro que só internando!!
AQUÁRIO - Ele qué mudá o mundo. Não muda nem as tela dos galinheiro e as lâmpada queimada. Adora uma revolução, um protesto ou deixar o povaréu de cabelo em pé. No fundo o que ele quer é aparecer.
PEIXES - Já esse, o que quer é desaparecer. Vive com a cabeça nas nuvens, viajando... Diz que conversa com o Boitatá, já viu o Negrinho do Pastoreio, e recebe o Sepé Tiarajú. Mas o que tem de doido tem de bonzinho. É só não contrariar.

sábado, 17 de maio de 2008

Hoje

Hoje eu reclamo
Criança que sou
Ainda que não tenha sido
Hoje eu reclamo
Não poder gritar
Chorar na rua
Reclamo
Soldado-ladrão
Soltar pipa no verão
A raia de gude
O sangue quente
O joelho queimando
As mãos de fada
Não foi nada!
Quando crescer, sara...Sara?
Reclamo, o banho quentinho
No final do dia
Abençoado dia
De suor, de correria
O sabonete cheiroso, o pijama, o sono
Dormi todos esses anos?
Hoje eu reclamo
O amor que era de vidro
Tantos cortes, cicatrizes
Será que tudo passa ou
Vai ficar doendo?
Deito, durmo
Depois eu vejo.

Lúcia Costa.

A História da Família Soares

Confeitaria Soares, quatro gerações
Agradecem a preferência.

Lúcia Costa.

Só você

Procurar em cada palavra
A emoção mais forte do
Momento
Como se teu amor fosse
Meu único alimento.

Subir, descer
Percorrer teu corpo
Como se cada ponto
Fosse teu centro.

Lúcia Costa

Amor devoto

Se queres que eu me crie do nada
Do nada sairei caminhando
No caminho das flores, sobre os mares
Rumo ao horizonte
Que tu estiveres sonhando.
E se me víres mais moça ou
Brincando de roda feito criança,
Guarda em teu coração a lembrança
Do amor de quimeras,
De indescritíveis lábios juvenis,
Coberta a inocência nos seus véus sutís
A fluir da idade mais bela
Na tua confissão apaixonada
A mais bonita que para ti eu era.
Se no passar dos anos
Ou mesmo a morte
Na separação dos corpos
peço-te, meu amor devoto
No juramento das tuas palavras
No esteio dos nossos sofrimentos
Não hesites no reconhecimento
Do tocar suave das almas
No encontro dos nossos olhos.
Que teu amor não pereça
Pelos dias demorados
Nem na distância em que se submeta
Pois, julgo e afirmo
Do meu não temas nenhum vacilo
Mesmo que olhos ladrões o tomem
Ou que por ele façam-se revoluções
Juro, meu amor devoto
Que meu descanso é no teu colo
Que a minha paz é no teu peito
Que só a ti meu amor é infinito.

Lúcia Costa.

Sem sentido

Vou dizer em poucas palavras
Como estou me sentindo:
Hoje já poderia ser amanhã
O possível dentro do impossível
Para que tudo faça sentido
Hoje tudo amarga o peito
Encurrala os pensamentos
Hoje tudo tem gosto de ontem
Hoje tudo tem cheiro de ontem
Hoje tudo me consome.

Lúcia Costa

Bilhete

"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,enfim,tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."

Mário Quintana

Quintana na memória


"Há quatorze anos, num 5 de maio, partia Mário Quintana, o poeta das coisas simples. Natural de Alegrete/RS, não tinha preocupações em relação à crítica, fazia poesia porque “sentia necessidade”, segundo suas próprias palavras. Traduziu Charles Morgan, Rosamond Lehman, Lin Yutang, Proust, Voltaire, Virginia Woolf, Papini, Maupassant.
Tentou três vezes vaga à Academia Brasileira de Letras, mas, em nenhuma das ocasiões foi eleito; as razões eleitorais da instituição não lhe permitiram alcançar os vinte votos necessários para ter direito a uma cadeira. Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, e mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou e escreveu seu conhecido Poeminha do contra:
Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho / Eles passarão… / Eu passarinho!"

Quintana por ele mesmo

"Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas… Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.
Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1 grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu… Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?
Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Érico Veríssimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras."

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Solidão


Solidão não sabe nadar
Por isso chateia a areia
Chorando sempre e
Olhando pro mar.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Feito para você: falta atender bem


Depois de ficar minutos esperando numa fila de banco, e ao chegar a sua vez, receber do funcionário um tratamento ríspido, impaciente, porque o nome que aparece na tela do computador do banco não "bateu" com o que está nos teus documentos, é de deixar qualquer um indignado. Aconteceu ontem, com uma amiga, numa agência do banco itaú. Banco itaú é aquele que diz que é "feito para você". Um banco que tem um atendimento assim, com certeza não foi feito para mim, e acredito que para ninguém.
Por muitos anos trabalhei com vendas, com atendimento direto ao público, e tirei muitas lições disso. Bom atendimento é o que se coloca no lugar do cliente. E todo mundo quer ser tratado com educação, bom humor, prestatividade. Pode até o produto que você estiver oferecendo ser o mais caro, não ser o melhor, mas se o atendimento for de primeira, o cliente volta, sai satisfeito e recomenda o lugar, recomenda a pessoa que atendeu.
Empresas que visam somente lucros, esquecem muitas vezes do principal: atender bem o cliente.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Um pouco de Caio Fernando Abreu

"Te desejo uma fé enorme, em qualquer coisa, não importa o quê, como aquela fé que a gente teve um dia, me deseja também uma coisa bem bonita, uma coisa qualquer maravilhosa, que me faça acreditar em tudo de novo, que nos faça acreditar em tudo outra vez."
Caio Fernando Abreu

Dia das mães


Minha mãe é uma figura. Dona Iolanda. Dona Ioiô. Muitas lembranças boas e não tão boas. Minha mãe já me esqueceu na creche, só levou meu irmão, depois viu que estava faltando algo. Quando a gente ficava doente, o remédio era Bactrin, até pros cachorros ela dava o remédio. Para contusões, compressa de sal. E vai contraria-la...O que a gente não gostava de comer, ela dizia:Come que é bom pros olhos. Cheiros bons da minha infância:cheiro da minha mãe, cheiro de vick vaporub, bolo feito em casa, feijão feito na hora...
Minha mãe é uma mulher muito bonita, tanto por dentro como por fora, é uma pessoa especial. Tem lá seus defeitos, erra, acerta, como todo mundo, mas as qualidades superam. Poderia ficar escrevendo, escrevendo sobre ela...Mas só queria deixar registrado aqui: "Como é grande o meu amor por você". Beijos, mãe. Te amo prá sempre.

Vampiros


"Eu não acredito em gnomos ou duendes, mas vampiros existem.
Fique ligado, eles podem estar numa sala de bate-papo virtual, no balcão de um bar, no estacionamento de um shopping.
Vampiros e vampiras aproximam-se com uma conversa fiada, pedem seu telefone, ligam no outro dia, convidam para um cinema.
Quando você menos espera, está entregando a eles seu rico pescocinho e mais.
Este "mais" você vai acabar descobrindo o que é com o tempo.
Vampiros tratam você muito bem, têm muita cultura, presença de espírito e conhecimento da vida. Você fica certo que conheceu uma pessoa especial.
Custa a se dar conta de que eles são vampiros, parecem gente.
Até que começam a sugar você.
Sugam todinho o seu amor, sugam sua confiança, sugam sua tolerância, sugam sua fé, sugam seu tempo, sugam suas ilusões.
Vampiros deixam você murchinha, chupam até a última gota.
Um belo dia você descobre que nunca recebeu nada em troca, que amou pelos dois, que foi sempre um ombro amigo, que sempre esteve à disposição, e sofreu tão solitariamente que hoje se encontra aí, mais carniça do que carne.
Esta é uma historinha de terror que se repete ano após ano, por séculos.
Relações vampirescas: o morcegão surge com uma carinha de fome e cansaço, como se não tivesse dormido a noite toda, e você se oferece para uma conversa, um abraço, uma força.
Aí ele se revitaliza e bate as asinhas.
Acontece em São Paulo, Manaus, Recife, Florianópolis, em todo lugar, não só na Transilvânia.
E ocorre também entre amigos, entre colegas de trabalho, entre familiares, não só nas relações de amor.
Doe sangue para hospitais. Dê seu sangue por um projeto de vida, por um sonho.
Mas não doe para aqueles que sempre, sempre, sempre vão lhe pedir mais e lhe retribuir jamais."

sábado, 26 de abril de 2008

Amor além da vida


Em 1994, no final da novela A Viagem, colocaram este texto, que passo a reproduzi-lo aqui. Para quem gostou, vale a pena ver de novo:

"Hoje, de algum lugar longe dessas terras.
Há um doce olhar só pra você. Um olhar especial.
De alguém especial, de distantes origens.
Um olhar de um justo coração que pulsa só a vida.
Que sorri porque ama plenamente.
Sem julgamentos, preconceitos nem prisões.
Hoje, como ontem, longe desses Céus.
Há um encantador olhar só pra você.
Nesse olhar vai para você a magia da luz.
A simplicidade do perdão.
A força para comungar com a vida.
A esperança de dias mais radiantes de paz.
Hoje, de algum lugar dentro de você.
Alguém que já o amou muito e ainda o ama.
Diz para você que valeu a pena ter estado nessas Terras.
Sob estes Céus. Falando de união, paz, amor e perdão.
Poder sentir a força que faz você sorrir.
E continuar o caminho.
Que um dia aquele doce olhar iniciou pra você.
Tudo isso, só pra você saber que a vida continua.
E a morte é uma viagem."

Autor:Paulo Kronenberger

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O amor é a melhor herança


Crianças aprontam, se irritam, tem raiva, fazem birra, se jogam no chão, não querem fazer os temas, não querem tomar banho, não querem guardar os brinquedos, testam o limite dos pais, de quem educa, de quem cuida.

Não sou especialista em comportamento infantil, mas sei que é por aí.
Sei que a criança espera tanto o amor como o limite. E dar amor é também dar limite, disciplina, proteção, condições de educação, de saúde, de moradia, alimento.
Mas, infelizmente, nem todas as crianças desfrutam de um lar em harmonia, nem todos têm a paciência e o carinho que as crianças merecem, precisam.
Crianças ganham manchetes em páginas policias, vítimas de quem deveria proteger, vítimas do meio onde vivem. Descartáveis, atiradas pelas janelas, deixadas em matos, em esquinas, nos semáfaros, na beira de estradas.
Aproveitei a campanha da RBS prá deixar aqui esta mensagem: "O amor é a melhor herança.Cuide das Crianças."
É o que levamos prá vida toda: o amor que recebemos quando criança, é o que vai nos construir(ou desconstruir) como ser humano.

Um abraço a todos.
Lúcia

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Encontros com o Professor-Cíntia Moscovich


Para quem quiser e puder:
Ruy Carlos Ostermann vai receber pro bate papo:
Cíntia Moscovich, mais detalhes:
Quando: 24/04/2008 às 19h30min
Onde: Studio Clio - José do Patrocínio,698
Entrada Franca
"Cíntia Moscovich é escritora, jornalista, mestre em Teoria Literária, roteirista de televisão e ministrante de oficinas literárias.
Estreou na literatura em 1996, com o volume de contos O Reino das Cebolas, que recebeu a indicação ao Prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro.
Em 1998, lançou a novela Duas Iguais, que conquistou o Prêmio Açorianos de Literatura, na modalidade de Narrativa Longa, em 1999.
Em outubro de 2000, lançou o livro de contos Anotações Durante o Incêndio, que venceu o Prêmio Açorianos de Literatura.
Em setembro de 2004, lançou Arquitetura do Arco-Íris, reunião de contos que ficou em terceiro lugar na categoria de contos e crônicas do Prêmio Jabuti de Literatura, além de ser uma das dez finalistas ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira e uma das três finalistas à primeira edição do Prêmio Bravo! Prime de Cultura (2005).
Em novembro de 2006, lançou o romance Por que Sou Gorda, Mamãe?.
A obra foi uma das finalistas da 6ª edição Prêmio Portugal Telecom de Literatura e deu à autora o Prêmio Açorianos (Narrativa Longa), o Açorianos de Livro do Ano e o troféu RBS Cultura.
Em dezembro de 2007, lançou seu sexto livro individual, o romance infanto-juvenil Mais ou Menos Normal, que faz parte da série Cidades Visíveis, da Publifolha.
Participou de diversas antologias no Brasil e no exterior, tendo publicações individuais em Portugal e Espanha. Roteirista da série Antônia, da Rede Globo, é ex-diretora do Instituto Estadual do Livro, tendo trabalhado como editora de livros do jornal Zero Hora, de Porto Alegre, além de colaborar para jornais e revistas de todo o país.
Em outubro de 2006, participou da Copa da Cultura, na Embaixada Brasileira em Berlim.
Em novembro de 2007, representou o Brasil na Bienal do Livro de Santiago do Chile."
Tá bom ou quer mais???

Dia Mundial do Livro

Tão bom poder ler e ter acesso aos livros, apesar de toda tecnologia que dispomos, nada mais prazeroso do que folhear um livro.
O dia-homenagem foi instituído pela Unesco em 1996.

Em Porto Alegre, várias ações na comemoração da Semana do Livro.

A programação, organizada por escolas, instituições e organizações, está toda reunida e divulgada no site da CRL. http://www.camaradolivro.com.br/

Boa leitura para todos.

sábado, 5 de abril de 2008

Tua Tristeza




Você queria a cidade deserta
Coberta por suas nuvens escuras
Trazendo sempre suas tempestades
Você queria o sangue quente
O vinho da missa
Provocar com a língua uma heresia
E com sua capa surrada
Cobrir o corpo e sufocar com a boca
O beijo na mulher amada
Mas na rua há um grande movimento
Automóveis passando, pessoas correndo
Perdendo-se em grandes mudanças
Mudança de humor, mudança de amor
E a dor vai ficando, incomodando
E você junto rezando, esperando
Por dias melhores
Mas a tua tristeza
Que você julga imensa
Te espera na mesa
Pro jantar.

Lúcia Costa


sexta-feira, 4 de abril de 2008

Cazuza


Hoje, se estivesse vivo, estaria fazendo 50 anos.

Difícil escolher entre tantas músicas para deixar aqui o registro.

Música, música que nos traduz.


Codinome Beija-Flor
Cazuza
Composição: Cazuza, Reinaldo Arias e Ezequiel Neves


Pra que mentirFingir que perdoou

Tentar ficar amigos sem rancor

A emoção acabou

Que coincidência é o amor

A nossa música nunca mais tocou...

Pra que usar de tanta educação

Pra destilar terceiras intenções

Desperdiçando o meu mel

Devagarzinho, flor em flor

Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi o teu nome por amor

Em um codinome, Beija-flor

Não responda nunca, meu amor

Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia

Dentro da tua orelha fria

Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada

Um jeito de não sentir dor

Prendia o choro e aguava o bom do amor

Prendia o choro e aguava o bom do amor

segunda-feira, 31 de março de 2008

Silêncio





Por um breve momento

Houve tanto silêncio em mim

Que até pensei ter morrido.

Será que morrer é assim?

Lúcia Costa

Rendenção


Nada como uma ida ao parque para renovar as energias, o astral. Em Porto Alegre, temos o Parque Farroupilha(foto), ou para os íntimos, A Redenção.

"Na Redenção, ou em Qualquer parque:

Não leve mais do que recordações.

Não tire mais que fotografias.

Não mate mais que tempo.

Não deixe mais que pegadas."

sexta-feira, 28 de março de 2008

Todas as vidas



Vive dentro de mim uma cabocla velha de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho, olhando para o fogo.
Benze quebranto. Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso d'água e sabão.
Rodilha de pano. Trouxa de roupa, pedra de anil.
Sua coroa verde de São-caetano.
Vive dentro de mim a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola. Quitute bem feito.
Panela de barro. Taipa de lenha.
Cozinha antiga toda pretinha.
Bem cacheada de picumã. Pedra pontuda.
Cumbuco de coco. Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda, desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa, de chinelinha, e filharada.
Vive dentro de mim a mulher roceira.
Enxerto de terra. Trabalhadeira.
Madrugadeira. Analfabeta. De pé no chão.
Bem parideira. Bem criadeira. Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim a mulher da vida.
Minha irmãzinha... tão desprezada, tão murmurada...
Fingindo ser alegre seu triste fado.
Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida - a vida mera das obscuras!
Cora Coralina